Estudar no exterior pode ficar mais difícil nos próximos anos. Ao menos é isso que sugere a análise das políticas de internacionalização propostas recentemente em países europeus e nos Estados Unidos. Tradicionais polos de atração de estudantes internacionais, incluindo brasileiros, Europa e Estados Unidos tem erguido obstáculos adicionais a atração de estudantes estrangeiros e a sua permanência no país após os estudos o que pode, nos próximos anos, gerar uma redução no número de estudantes internacionais frequentando suas universidades.

O anúncio mais recente foi do governo francês. No último dia 19 de novembro, o primeiro ministro Édouard Philippe anunciou que as universidades francesas passarão a cobrar taxas diferenciadas de estudantes de fora da União Europeia. A expectativa é de que o custo de uma formação na França aumente em até 16 vezes em relação ao valor atual passando de 170€ para 2770€ anuais para a graduação. No caso da pós-graduação o custo passaria a 3770€.

A medida não é inovadora. Vários estados americanos já possuem políticas similares. Na Europa o mesmo já acontece no estado alemão de Baden-Württemberg, que concentra algumas das melhores universidades do país. Segundo o primeiro ministro francês, além de reduzir o impacto no orçamento, a medida visa fazer com que mais estudantes busquem as universidades francesas por sua qualidade e não apenas pelo baixo custo.

Como contrapartida, o governo francês planeja anunciar um aumento no número de bolsas que saltariam de 7mil para 21mil, sendo parte delas dedicadas a estudantes de países em desenvolvimento. Esse número, porém, atende menos de 10% dos 325mil estudantes internacionais que a França recebeu de acordo com estatísticas de 2016 e que fazem do país o quarto destino preferido de estudantes internacionais atrás apenas de EUA, Reino Unido e Austrália.