Pode-se dizer que os entendimentos os quais giram em torno das Ciências Exatas enquadram-se numa lógica binária, sendo sinônimos ou de amor ou de ódio. Nesse sentido, se de um lado há o grupo dos apaixonados por exatas, dentro do qual eu me encaixo; de outro, existe o grupo dos que não gostam, pois provavelmente tiveram ou têm dificuldades com as matérias da referida área, quais sejam matemática, física e química. Falo isso porque durante minha vida acadêmica, desde o Ensino Fundamental até hoje na graduação, não me lembro de casos nos quais uma pessoa gostava, por exemplo, parcialmente de matemática. Assim, sempre questionei o porquê do desgosto por tais disciplinas, até que um dia comecei a tentar compreender esta situação. É certo que isso demorou um tempo; no entanto, cheguei a uma explicação embasada logicamente sob o prisma de três premissas.

Primeira premissa: a tendência de os alunos tirarem conclusões precipitadas - sem nem ter estudado o conteúdo - a partir de comentários e opiniões daqueles que se encontram em períodos/anos mais avançados. Apesar de ser muito presente no cenário acadêmico, essa realidade não tem lógica, pois não se pode afirmar uma coisa utilizando uma amostra que não seja representativa.

Segunda premissa: os estudantes não têm base matemática para acompanhar raciocínios mais aprofundados quando se chega em séries mais avançadas. A Matemática é a primeira disciplina de exatas que começamos a estudar ainda no Ensino Fundamental. No início tudo parece ser simples, por isso muitos estudantes não dão a devida importância à construção de uma base sólida. Assim, quando se chega no Ensino Médio, por não saber aplicar as ferramentas básicas, o entendimento dos conteúdos mais complexos torna-se uma verdadeira dor de cabeça. Nesse sentido, o aprendizado de todas as disciplinas que fazem da matemática um instrumento recorrente fica comprometido.

Terceira premissa: os alunos resolvem exercícios sem, inicialmente, estudar a teoria. Isso não só acontece no grupo daqueles que não gostam de exatas, como também naquele integrado pelos estudantes fascinados por tal área. Até hoje, percebo que colegas da minha sala não sabem como estudar para uma prova de Cálculo, por exemplo. Muitos querem resolver o máximo de exercícios que conseguem, mas considero isso como um ponto negativo, pois eles não estão aprendendo, estão apenas decorando a resolução de um determinado tipo de exercício para reproduzi-la na prova. No entanto, eu, pessoalmente, utilizo uma didática diferente da usual, porque sempre busco, primeiramente, compreender a teoria, utilizando uma bibliografia mais ampla, na qual enquadram-se, normalmente, dois ou três livros. Depois, antes de fazer exercícios, analiso algumas questões já resolvidas para verificar como essa teoria é empregada na prática. Dessa forma, uso os exercícios para exercitar e não para aprender.

Como visto essas três premissas anteriormente citadas são, a meu ver, o cerne das dificuldades encontradas pelos estudantes na área de exatas, o que traduz o sentimento de aversão pelas disciplinas relacionadas.

Contudo, é possível contornar essa situação partindo primeiramente de uma autoanálise e reflexão pessoal sobre as deficiências e sobre a estratégia de estudo de cada estudante. De igual forma, é interessante o aluno buscar dicas que o auxiliem a construir alguns métodos mais precisos, os quais podem tornar o ensino mais prazeroso e produtivo.

Assim, no meu entender para amenizar a ocorrência de casos como o retratado na primeira premissa, é interessante filtrar os comentários, de forma a permitir uma análise pessoal mais crítica sobre a real dificuldade da disciplina. Com relação à segunda premissa, é válido estudar tudo desde o início para sanar as dúvidas ou, se achar melhor, fuja para sempre de exatas. A dica aplicada à terceira premissa seria a de dar importância à teoria, primeiramente, para posteriormente resolver os exercícios práticos sobre o conteúdo estudado.

Dessa forma, aplicando as dicas, realmente acredito que o grande grupo dos alunos que não gosta de matemática possa se tornar cada vez menor. E como não há intersecção entre estes grupos, aos poucos mais elementos farão parte do grupo dos estudantes que têm verdadeira paixão pelas ciências exatas.